OS AUTOMÓVEIS, O GNV, A CIDADE E O HOMEM

Em Buenos Aires, bem como em muitas cidades do mundo, fala-se muito no cuidado do ar que respiramos, assunto que envolve uma variedade de informação que nem sempre concorda com a rigorosa verdade científica, prática e honesta, produto de pesquisas e experiências reais, medidas adequadamente e avaliando o comportamento dos sistemas ao longo do tempo,

sem que os laudos difundidos estejam atingidos de interesses particulares ou de apreciações parciais dos emissores.

Sabe-se que esta nova atividade gerou a ocupação de muita mão de obra e um mercado que gerou uma grande movimentação econômica. No entanto, afetou outras atividades que viram sus negócios reduzirem-se pela inclinação do público pelo GNV.

ASPECTOS e VARIÁVEIS AFECTADOS

Ao utilizar GAS NATURAL VEICULAR, não só está em jogo o cuidado do ar mas também aspectos estruturais, econômicos e de segurança que são influenciados pela sua utilização.

SEGURANÇA

No transporte e na distribuição.

O fato de que o GAS NATURAL seja transportado por dutos é, sem dúvidas, uma vantagem importante nos centros urbanos na redução do trânsito pesado, da poluição que ele produz e da possibilidade de acidentes e derrames.

Aliás, por causa de um efeito psicológico, presta-se muita mais atenção a evitar fugas na manipulação de gases combustíveis que na manipulação dos combustíveis líqüidos.

Na utilização.

Já com 12 anos de utilização do GNV na Argentina, a experiência é que não têm ocorrido acidentes graves causados por falhas do sistema. Sem entrar em estatísticas complicadas, pode-se afirmar que as ocorrências nos veículos aconteceram sempre pela ignição do combustível líqüido, já que é mais fácil detectar fugas do gás (pelo cheiro) do que fugas de gasolina por serem os gases da gasolina mais pesados que o ar, o que faz com que tendam a descer e não a elevar-se como o gás natural.

CComo dissera um meio gráfico: "quem pensaria em cozinhar na sua casa com gasolina".

A percentagem de combustível que se perde nas operações de reabastecimento é menor no despacho de GNV, ao mesmo tempo que a segurança é maior.

ECOLOGÍA

Poderíamos escrever vários livros sobre o assunto mas, tentando sintetizar as vantagens ecológicas dos motores a gás a respeito dos outros, a seguir dar-se-á uma lista dos seus benefícios ecológicos.

Menor índice de monóxido de carbono ( CO ).

Menor índice de hidrocarbonetos sem queimar (HC).

Menor índice de óxido de nitrogênio ( NOx ).

Maior duração da calibracão dentro de limites de poluição por ser um sistema estável.

Menor poluição por emissão de gases do cárter que geralmente voltam a ingressar no motor para sua combustão.

Menor degradação do lubrificante, que diminui o consumo de óleo e a emissão de óxido de enxofre ( S20 ).

Notável diminuição de emissões por não requerer enriquecimento de mistura (acendedor) perante a marcha com o motor frio.

Menor emissão de partículas (carvão).

Não existe evaporação de combustível nem emissão de cheiro nenhum, como acontece com as ventilações dos depósitos de combustíveis líqüidos.


 
 

CUSTOS AFETADOS

De transporte.

Quando os gasodutos já foram feitos, as despesas de manutenção são muito baixas e só deve acrescentar-se os custos de amortização que, apesar de serem significativos, dissolvem-se ao longo do grande período de utilização de aqueles, sem que se produzam renovações deixando, então, uma parte das utilidades disponíveis para o investimento em novos gasodutos ou no melhoramento das redes.

No que tange ao transporte de combustíveis líqüidos, a distribuição das refinarias será sempre feita com caminhões, o que pressupõe um elevado custo de manutenção, amortização e um novo investimento em veículos.

De refinação.

O gás natural é filtrado, odorado e, em alguns casos, é possível afastar de certas bacias outros gases combustíveis, tais como butano e propano e dali é bombeado às redes de distribuição para depois ser descomprimido nos centros de consumo.

O petróleo cru é bombeado por OLEODUTOS o transportado em caminhões até as refinarias, onde sofre diversos processos de refinação, separação e inclusão de aditivos para obter diferentes subprodutos, tais como combustíveis líquidos de uso automotor, para depois serem distribuídos em caminhões aos centros de consumo. Eis aqui a grande diferença de custos entre o GNV e os combustíveis líqüidos que não se reflete nos preços ao público devido a uma diferente composição de impostos que não será analisada neste capítulo.

De obtenção.

É muito difícil fazer uma diferença entre os custos da obtenção de um e do outro combustível pois todos provêm da perfuração de bacias petrolíferas, porém o certo é que o petróleo deve ser bombeado ao mesmo tempo que o gás sai para a superfície por si mesmo e geralmente com uma elevada pressão, sendo somente necessário fazer uma adequada tubulação para ser colhido e enviado ao gasoduto.

De utilização.

Existem diversas versões no que tange à variação do custo de utilização de um veículo a GNV, mas são poucos os analistas que utilizam dados concretos naquilo relacionado com a manutenção desses veículos e, o mais desconcertante ainda, é o silêncio das montadoras que, quando foram iniciadas as conversões, não ampararam a garantia dos veículos convertidos. Mais adiante, algumas empresas homologaram o GNV e outras ofereceram já da fábrica, AUTOMÓVEIS e UTILITÁRIOS DUAIS GASOLINA-GNV, mas não temos conhecimento de testes comparativos do seu comportamento, vida útil e performance, nem a favor nem contra o GNV.

O certo é que o quadro de usuários continua acrescentando-se e se apesar do "silêncio" foi homologado, podemos intuir que não desgasta os motores, não "SECA" os cilindros e permite ao usuário baixar consideravelmente os custos de operação dos seus veículos.